As comunidades do mundo sempre viveram voltadas para si próprias; sua cultura, sua economia, sua religião... Na Mesopotâmia as primeiras aglomerações humanas, chamadas cidades-estados, eram assim denominadas por serem independentes umas das outras. As guerras constantes por conquistar os povos vizinhos, faziam deles inimigos mortais. A guerra na Grécia antiga era tão normal que se faziam os jogos olímpicos em homenagem a Zeus, pai dos deuses e morador do monte Olimpo a fim de desfrutarem de alguns dias de paz.
“Os gregos antigos aceitavam a guerra como um fato natural, assim como o nascimento ou a morte, acerca do qual nada poderia ser feito. Essa evidência deve ser relacionada a um mundo fundado sobre o uso da violência.” (Marcos A. P. de Souza)
Na época em que Jesus viveu, Israel era dominado pelos romanos que lhe cobravam altos impostos e lhe impunham severas leis. Na Idade Média, os Papas impunham a “Trégua de Deus” nas festas religiosas para amenizar um pouco as constantes guerras. 1ª e 2ª Guerra Mundial, conseqüências desastrosas do espírito de cobiça e dominação dos europeus.
Muito perto de nós, tempos da guerra-fria, o comunismo dominava ideologicamente, países do leste europeu, da Ásia e Cuba, na América. O mundo então viveu a expectativa de uma possível 3ª guerra mundial, pois comunismo e capitalismo se confrontavam em uma guerra ideológica que parecia não ter fim.
Hoje de certa forma, tudo isto terminou... vivemos a globalização! Um mundo cujos pensamentos e anseios são de boa convivência entre as pessoas e entre a maioria dos países, que já fazem encontros de representantes até dentro de uma estação espacial em órbita da terra. Um mundo em que o comércio de mercadorias e de idéias transcedem as fronteiras dos próprios países e o conhecimento é obtido através de meios de comunicação inacreditáveis no passado como a Internet.
De acordo com o Papa Bento XVI existem três desafios para os povos deste mundo globalizado:
1º - Desenvolvimento sustentável
2º - Conceito da Pessoa Humana e nossos relacionamentos recíprocos.
3º - Valores espirituais
“Para enfrentar tais desafios, somente o amor ao próximo pode inspirar em nós a justiça ao serviço da vida e a promoção da dignidade humana. Exclusivamente o amor no seio da família, alicerçado num homem e numa mulher criados à imagem de Deus, pode garantir a solidariedade intergeracional, que há de transmitir o amor e a justiça às gerações vindouras. Só a caridade pode encorajar-nos a inserir a pessoa humana no fulcro da vida na sociedade e no cerne de um mundo globalizado, governado pela justiça.”(Bento XVI – 28/04/2007)
Se esquentamos o globo, no passado, é hora de esfriá-lo, se derrubamos as árvores é hora de plantarmos outras e cuidarmos das que restaram. Podemos continuar desenvolvendo o mundo, mas com a sustentação adequada para que as gerações vindouras não pereçam.
Também com relação à pessoa humana, não podemos esquecer que somos seres criados à imagem e semelhança de Deus, o nosso corpo guarda uma alma que merece ser respeitada. Toda forma de vida humana deve ser preservada, desde a sua concepção até a morte. Quanto mais carente, mais enfermo, mais idoso, maior deve ser a nossa atenção, o nosso carinho, o nosso respeito.
Os valores espirituais não devem fugir de nossa mente um só momento. Muito pelo contrário, a cada dia, dar tudo que for possível para difundir o Evangelho de Jesus Cristo na mente das pessoas, para que todos possamos deixar de lado a lei antiga: “Olho por olho, dente por dente” e viver o Seu mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.”
Isabel Menezes – Varre-Sai
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