quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Uma questão moral

Uma questão moral

“A moral é o conhecimento do que devem necessariamente fazer ou evitar, os seres inteligentes e racionais que pretendem conservar-se e viver felizes na sociedade.”
(Barão P.H. D. de Holbach)

A notícia da chegada de um self-service de camisinhas nas escolas públicas, a serem utilizadas por estudantes do Ensino Fundamental ao Médio, implantado pelo governo federal, alegram alguns e entristecem a muitos.
Um dos pontos de preocupação dos mais sensatos é que até jovens de 11 anos de idade terão acesso fácil a este preservativo e ainda mais, iludidos, sem medo, devido à propaganda enganosa que se faz de que não se corre risco algum ao usá-lo. Assim qualquer pessoa que entenda um mínimo de psicologia saberá que como muitos já estão fazendo, acabarão por praticarem desordenadamente o sexo, até sem a camisinha, pois existem coisas que não precisam ser incentivadas, está no sangue, e instigados ainda mais pela propaganda, o sexo se tornará uma epidemia incontrolável. E além do mais, nenhum preservativo é 100% seguro e até a OMS admite que sexo com camisinha não é 100% seguro, por causa do risco de má utilização ou de ruptura. (site da BBC do Brasil)
Alguns dizem que as pessoas que são contra a doação de preservativos aos jovens, estão fora da realidade, que a banalização do sexo é comum, que os jovens já praticam o sexo, que não existe fidelidade e que virgindade até o casamento é utopia. É verdade que a moral e os bons costumes estão mesmo em decadência, mas nem por isso precisamos incentivá-los. Sou do grupo que pensa na frente. Não é porque a corrupção está na moda, o tráfico tomou conta das grandes cidades, o crime é uma constante, a falta de ética passou dos limites, o desrespeito à propriedade alheia e aos direitos humanos acontecem todos os dias, que devemos deixar de combatê-los. O mesmo se dá com a camisinha.
Dom Rafael Cifuentes acusa as campanhas do Ministério da Saúde e de ONGs ligadas ao combate à Aids de apresentarem o preservativo como uma solução fácil. O que, na opinião do religioso, serve apenas para fomentar a promiscuidade e o sexo precoce.
— Eles dizem para usar a camisinha e ponto final — critica. — Como se isso resolvesse todos os problemas. Mas o problema é de educação, de informação sobre como ter uma vida afetiva e sexual saudável.
O Papa João Paulo II assim se expressou sobre a camisinha:“Além de que o uso de preservativos não é 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana... O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo... O preservativo oferece uma falsa idéia de segurança e não preserva o fundamental” (PR, nº 429/1998, pag.80).
“A CNBB sente a urgência de um verdadeiro plano de educação afetiva e sexual. A vida sexual não pode ser banalizada. A vivência da sexualidade é uma das expressões do amor. Requer afetividade, doação, responsabilidade e fidelidade. A relação sexual encontra no matrimônio sua verdadeira e plena expressão”.
Está provado que nos países africanos, após o incentivo do uso da camisinha, aumentou-se o número de AIDS . Será porquê?
Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, a cartilha do governo Lula, desenvolvida para ser doada aos jovens, viola, de forma explícita, ao menos sete artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme segue abaixo.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.
Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.
Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Art. 73. A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica, nos termos desta Lei.
Então estamos também diante de um problema de desrespeito à criança e ao adolescente, que manchará mais uma vez o nosso tempo histórico.
(Isabel Menezes - Prof. Ensino Religioso e História,
membro da Pastoral familiar Pré - Matrimonial)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Família x paz

Família X PAZ

(13 de janeiro é dia da Sagrada Família)
"A família natural, fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher, é um berço da vida e do amor, e a primeira e insubstituível educadora da paz". A negação ou a restrição dos direitos da família, obscurecendo a verdade do homem, ameaça os próprios fundamentos da paz".
(Bento XVI em seu discurso de Ano Novo – 2008)


Que missão belíssima da Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José; para exemplo das famílias do mundo contemporâneo! “As palavras comovem, os exemplos edificam.” Exemplo de paz, para a humanidade inteira! Ali não havia inveja, discórdias, preguiça, avareza, soberba, luxúria ou gula, os vícios capitais, tão comuns nos dias de hoje, que a Globo resolveu até desenvolver uma novela em torno deles, como se fossem comuns e naturais, como se o estado normal da pessoa humana fosse estar dominada por estes vícios. É claro que não somos perfeitos, mas o normal é buscar sermos melhores a cada dia, melhorar o nosso interior como fazemos com o nosso exterior, ornamentar o nosso espírito com as pedras preciosas das virtudes, como ornamos o nosso exterior com ouro e prata, pois “o que se leva desta vida é a vida que se leva.”
José era o Pai bondoso, que do trabalho em sua humilde carpintaria tirava o sustento da família. Não conhecia a fraude, o suborno, o super-faturamento, o “passar a perna” , o “levar uma vantagezinha”... era íntegro, sincero, cordial com todos que o procuravam e não só com os mais abastados . Ensinava seu ofício ao Menino Jesus com paciência e amor.
Maria, a Mãe amorosa, que além dos afazeres domésticos, ainda costurava e bordava, naquela época que não havia a divisão social do trabalho. Era amada pela vizinhança por sua cordialidade e alegria. Sempre pronta a ajudar, caminhou longe para auxiliar a prima Isabel, quando estava para ganhar São João Batista. Exemplo de humildade, pois sendo a Mãe de um Deus, não se exaltou, mas se colocou a serviço do próximo.
Jesus, o Deus vivo, era filho obediente, esforçado nos estudos e constante no trabalho com São José. Trabalhava com alegria, solícito e submisso aos pedidos de seu pai. Sendo o maior rei do mundo, nunca humilhou seus pais com palavras grosseiras, mas sempre os cativou com sua docilidade e alegria. Na falta do pai, ele mesmo trabalhava sozinho para prover as necessidades de sua Mãe.
Família é um dom de Deus, uma alegria para a sociedade! Como é bom ter família!
Com a família constituída embasada na fé e no amor a Deus que tudo pode: Pai, Mãe e Filhos; teremos maior garantia de paz para o mundo. Ambos criados por Deus dotados de características diferenciadas, se completam mutuamente na família. O homem tem os caracteres próprios de sua masculinidade e deve exercê-los na liderança de sua família, a mulher de caráter feminino é o coração e a sustentabilidade emocional da família ; os filhos devem ser os frutos do amor que une os pais, sempre alegres, estudiosos, trabalhadores e cientes das dificuldades familiares, tendo assim os pés no chão da realidade.
Estou consciente que a sociedade atual é fruto da crise familiar. São poucas as famílias hoje em dia, como a que descrevi acima. Mas seria o ideal, e entre o ideal e o possível, vivemos um mundo de ódio, guerras e sofrimentos, como o que estamos presenciando neste momento em que são libertadas somente duas das centenas de reféns das FARCs em nosso continente Americano, onde um menino, filho de uma delas, nascido em cativeiro, é encontrado necessitando de cuidados especiais pela sua precária saúde.
"Hoje, mais que nunca, nosso pensamento está com todos aqueles que seguem detidos contra sua vontade por grupos armados na Colômbia e com o sofrimento do qual padecem suas famílias.” (Presidente da CE, José Manuel Durão Barroso)
É de longe que isto veio caminhando, seja por falta de governos sérios e realmente comprometidos com políticas sociais menos paternalistas e mais realistas; seja por corrupções políticas onde o dinheiro arrecadado nos países, fica nos bolsos de alguns ou nos paraísos fiscais; seja pelo esquecimento de Deus numa sociedade materialista e consumista.
Mas não somos nós que iremos de uma hora para a outra resolver esta situação; não são também a legalização de crimes contra a natureza biológica do homem ou aborto que solucionará o caos familiar em que vivemos. Estas coisas só tendem a piorar a situação. Precisamos adotar uma política da valorização da vida, como a CF 2008 nos propõe: “Escolhe, pois a vida!”


(Prof. Isabel C. Menezes D. Esposti –
Ensino Religioso e História – Colégio Miguel Couto e CIEP 381)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Clique no link e vote em defesa da vida!



"Se não respeitarmos a vida dos pequeninos hoje, só porque são indefesos, o que será dos idosos no futuro? Serão também indefesos e aparentemente inúteis. Seremos nós, os velhos de amanhã que seremos desrespeitados em nosso direito primordial, a vida."

"Escolhe, pois a vida!"

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Globalização e reflexão


As comunidades do mundo sempre viveram voltadas para si próprias; sua cultura, sua economia, sua religião... Na Mesopotâmia as primeiras aglomerações humanas, chamadas cidades-estados, eram assim denominadas por serem independentes umas das outras. As guerras constantes por conquistar os povos vizinhos, faziam deles inimigos mortais. A guerra na Grécia antiga era tão normal que se faziam os jogos olímpicos em homenagem a Zeus, pai dos deuses e morador do monte Olimpo a fim de desfrutarem de alguns dias de paz.
“Os gregos antigos aceitavam a guerra como um fato natural, assim como o nascimento ou a morte, acerca do qual nada poderia ser feito. Essa evidência deve ser relacionada a um mundo fundado sobre o uso da violência.” (Marcos A. P. de Souza)
Na época em que Jesus viveu, Israel era dominado pelos romanos que lhe cobravam altos impostos e lhe impunham severas leis. Na Idade Média, os Papas impunham a “Trégua de Deus” nas festas religiosas para amenizar um pouco as constantes guerras. 1ª e 2ª Guerra Mundial, conseqüências desastrosas do espírito de cobiça e dominação dos europeus.
Muito perto de nós, tempos da guerra-fria, o comunismo dominava ideologicamente, países do leste europeu, da Ásia e Cuba, na América. O mundo então viveu a expectativa de uma possível 3ª guerra mundial, pois comunismo e capitalismo se confrontavam em uma guerra ideológica que parecia não ter fim.
Hoje de certa forma, tudo isto terminou... vivemos a globalização! Um mundo cujos pensamentos e anseios são de boa convivência entre as pessoas e entre a maioria dos países, que já fazem encontros de representantes até dentro de uma estação espacial em órbita da terra. Um mundo em que o comércio de mercadorias e de idéias transcedem as fronteiras dos próprios países e o conhecimento é obtido através de meios de comunicação inacreditáveis no passado como a Internet.
De acordo com o Papa Bento XVI existem três desafios para os povos deste mundo globalizado:
1º - Desenvolvimento sustentável
2º - Conceito da Pessoa Humana e nossos relacionamentos recíprocos.
3º - Valores espirituais
“Para enfrentar tais desafios, somente o amor ao próximo pode inspirar em nós a justiça ao serviço da vida e a promoção da dignidade humana. Exclusivamente o amor no seio da família, alicerçado num homem e numa mulher criados à imagem de Deus, pode garantir a solidariedade intergeracional, que há de transmitir o amor e a justiça às gerações vindouras. Só a caridade pode encorajar-nos a inserir a pessoa humana no fulcro da vida na sociedade e no cerne de um mundo globalizado, governado pela justiça.”(Bento XVI – 28/04/2007)
Se esquentamos o globo, no passado, é hora de esfriá-lo, se derrubamos as árvores é hora de plantarmos outras e cuidarmos das que restaram. Podemos continuar desenvolvendo o mundo, mas com a sustentação adequada para que as gerações vindouras não pereçam.
Também com relação à pessoa humana, não podemos esquecer que somos seres criados à imagem e semelhança de Deus, o nosso corpo guarda uma alma que merece ser respeitada. Toda forma de vida humana deve ser preservada, desde a sua concepção até a morte. Quanto mais carente, mais enfermo, mais idoso, maior deve ser a nossa atenção, o nosso carinho, o nosso respeito.
Os valores espirituais não devem fugir de nossa mente um só momento. Muito pelo contrário, a cada dia, dar tudo que for possível para difundir o Evangelho de Jesus Cristo na mente das pessoas, para que todos possamos deixar de lado a lei antiga: “Olho por olho, dente por dente” e viver o Seu mandamento novo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.”
Isabel Menezes – Varre-Sai