Uma questão moral
“A moral é o conhecimento do que devem necessariamente fazer ou evitar, os seres inteligentes e racionais que pretendem conservar-se e viver felizes na sociedade.”
(Barão P.H. D. de Holbach)
A notícia da chegada de um self-service de camisinhas nas escolas públicas, a serem utilizadas por estudantes do Ensino Fundamental ao Médio, implantado pelo governo federal, alegram alguns e entristecem a muitos.
Um dos pontos de preocupação dos mais sensatos é que até jovens de 11 anos de idade terão acesso fácil a este preservativo e ainda mais, iludidos, sem medo, devido à propaganda enganosa que se faz de que não se corre risco algum ao usá-lo. Assim qualquer pessoa que entenda um mínimo de psicologia saberá que como muitos já estão fazendo, acabarão por praticarem desordenadamente o sexo, até sem a camisinha, pois existem coisas que não precisam ser incentivadas, está no sangue, e instigados ainda mais pela propaganda, o sexo se tornará uma epidemia incontrolável. E além do mais, nenhum preservativo é 100% seguro e até a OMS admite que sexo com camisinha não é 100% seguro, por causa do risco de má utilização ou de ruptura. (site da BBC do Brasil)
Alguns dizem que as pessoas que são contra a doação de preservativos aos jovens, estão fora da realidade, que a banalização do sexo é comum, que os jovens já praticam o sexo, que não existe fidelidade e que virgindade até o casamento é utopia. É verdade que a moral e os bons costumes estão mesmo em decadência, mas nem por isso precisamos incentivá-los. Sou do grupo que pensa na frente. Não é porque a corrupção está na moda, o tráfico tomou conta das grandes cidades, o crime é uma constante, a falta de ética passou dos limites, o desrespeito à propriedade alheia e aos direitos humanos acontecem todos os dias, que devemos deixar de combatê-los. O mesmo se dá com a camisinha.
Dom Rafael Cifuentes acusa as campanhas do Ministério da Saúde e de ONGs ligadas ao combate à Aids de apresentarem o preservativo como uma solução fácil. O que, na opinião do religioso, serve apenas para fomentar a promiscuidade e o sexo precoce.
— Eles dizem para usar a camisinha e ponto final — critica. — Como se isso resolvesse todos os problemas. Mas o problema é de educação, de informação sobre como ter uma vida afetiva e sexual saudável.
O Papa João Paulo II assim se expressou sobre a camisinha:“Além de que o uso de preservativos não é 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana... O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo... O preservativo oferece uma falsa idéia de segurança e não preserva o fundamental” (PR, nº 429/1998, pag.80).
“A CNBB sente a urgência de um verdadeiro plano de educação afetiva e sexual. A vida sexual não pode ser banalizada. A vivência da sexualidade é uma das expressões do amor. Requer afetividade, doação, responsabilidade e fidelidade. A relação sexual encontra no matrimônio sua verdadeira e plena expressão”.
Está provado que nos países africanos, após o incentivo do uso da camisinha, aumentou-se o número de AIDS . Será porquê?
Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, a cartilha do governo Lula, desenvolvida para ser doada aos jovens, viola, de forma explícita, ao menos sete artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme segue abaixo.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.
Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.
Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
Art. 73. A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica, nos termos desta Lei.
Então estamos também diante de um problema de desrespeito à criança e ao adolescente, que manchará mais uma vez o nosso tempo histórico.
(Isabel Menezes - Prof. Ensino Religioso e História,
membro da Pastoral familiar Pré - Matrimonial)
