quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

QUARESMA: NOVOS SACRIFÍCIOS

Quaresma: Penitências dos tempos modernos

Não comer carne, não comer marisco, evitar os chocolates e não abusar das mensagens de telemóvel. As horas gastas nos jogos eletrônicos prometem diminuir e porque não amealhar o dinheiro do café para ajudar os outros. São estes alguns sacrifícios que os católicos prometem pôr em prática no tempo quaresmal que se avizinha. Pequenas privações que lembram o sacrifício de Cristo, mas que a fé ajuda a levar de ânimo leve. Para pôr em prática a partir do dia 25 deste mês.

Penitência, jejum, abstinência, sacrifício, privação e renúncia. São apenas algumas das palavras que associamos ao período da Quaresma e que a sociedade atual, onde reina o excesso, esvazia de sentido. Para quem se assume cristão palavras como estas não têm o valor negativista que os não crentes lhes atribuem. A penitência e o sacrifício são vistos como uma forma de cada um se tornar melhor: consigo mesmo, com Deus e com o próximo.

Na disciplina tradicional da Igreja Católica ganha destaque o jejum, a abstinência, a oração e a esmola . A FAMÍLIA CRISTÃ quis saber o que dizem estes conceitos aos cristãos dos dias de hoje.

Filipe Augusto Santos, 30 anos, gestor, casou recentemente. Prepara-se para viver a primeira Quaresma com Cláudia Santos, a esposa. «Gostava que fosse um tempo de reflexão, meditação e recolhimento», afirma Filipe, que diz não fazer sacrifícios na Quaresma, apenas ofertas. «O não comer carne, não praticar excessos, o ser um tempo regrado para mim, não são sacrifícios, são apenas pequenas privações que eu ofereço a Deus por Ele ter oferecido o seu Filho para morrer por nós.» Cláudia, por outro lado, entende o sacrifício como «uma maneira de nos tornamos mais tolerantes com o outro.» Para esta enfermeira de 28 anos, a Quaresma é um período que convida a fazer um auto-exame. «Será que eu fui correta com esta pessoa? Será que tinha mesmo de falar assim com ela? Esta reflexão leva-nos a fazer um pequeno sacrifício e ter mais cuidado. Isso faz de nós pessoas melhores», explica Cláudia.

António Fernandes Catarino tem 70 anos, o negócio imobiliário deu-lhe um bom pé-de-meia para a reforma e hoje afirma que não comer carne acaba por não ser um sacrifício dado que pode optar por marisco que chega a ser bastante mais caro e que muito aprecia. Por isso a Quaresma para ele é muito mais do que não comer carne. É não comer aquilo de que mais gosta. «Cumpro a tradição», afirma António Fernandes.

O Rafael tem 11 anos, frequenta a catequese mas ainda está longe de perceber o verdadeiro sentido destes sacrifícios. A mãe, Amélia Monteiro, lá lhe vai explicando que tudo o que é exagerado é mau e o Rafael exagera com a consola de jogos. «O Rafael é uma criança aplicada na escola mas abusa nos jogos», explica a mãe à FAMÍLIA CRISTÃ. Durante o período de Quaresma Rafael já prometeu jogar consola apenas uma vez durante o fim-de-semana. «Vai-me custar muito porque estou habituado a jogar todos os dias quando chego a casa.» Quando lhe pergunto se compreende o significado de tal sacrifício responde: «É para me tornar melhor.
Cristina Albano, 42 anos, vai dizendo que em tempo quaresmal também vai deixar de tomar o seu cafezinho antes de ir para o emprego, poupando 50 centavos todos os dias. Cristina, doará o dinheiro que vai poupar a uma amiga que perdeu o emprego. A FAMÍLIA CRISTÃ fez as contas e a amiga da Cristina irá receber vinte euros.
Pequenos sacrifícios que fazem a caminhada dos cristãos para uma verdadeira Festa de Páscoa.
(Adap. do Texto de: Imelda Monteiro \ Revista Família Cristã)

1- E você? Já pensou em algum sacrifício que gostaria de fazer até a chegada da Páscoa? Qual?

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